Brasília — A Polícia Federal (PF) rejeitou pela segunda vez a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Preso desde março em Brasília, Vorcaro buscava colaborar com as investigações da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo fundos de previdência estaduais e municipais.
Segundo fontes ligadas ao inquérito, os investigadores consideraram que a proposta não trouxe provas documentais capazes de sustentar as declarações, além de não apresentar informações inéditas que pudessem avançar nas apurações.
A avaliação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Contexto
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após suspeitas de irregularidades.
A Operação Compliance Zero revelou indícios de prejuízos que podem ultrapassar R$ 12 bilhões, atingindo fundos como o Rioprevidência.
Vorcaro já havia apresentado uma primeira proposta de delação em maio, igualmente rejeitada pela PF.
Repercussões
A decisão da PF não encerra as negociações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda analisa se dará prosseguimento às tratativas. Paralelamente, outros investigados, como Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, também negociam acordos de colaboração.
Especialistas avaliam que a rejeição reforça a postura da PF de exigir elementos concretos para validar delações, evitando que sejam usadas apenas como estratégia de defesa.

O caso segue em destaque no cenário jurídico e financeiro, com expectativa de novos desdobramentos nas próximas semanas.

